Mostrar mensagens com a etiqueta Poemas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poemas. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, março 30, 2007

Parabéns

Se não tivesses velas
a iluminar teu aniversário,
terias o brilho inigualável das estrelas
que ELE criou para ti...

Se não tivesses flores,
eu te ofereceria todo o perfume,
todo o sorriso, todo o encanto
das flores variadas dos jardins,
dos montes e caminhos,
dos beirais e campos...

Se não tivesses doces, nem prendas,
nem alegria nem festa,
e sentisses vazio e esquecimento,
sentirias, ao menos, a lembrança terna
da minha palavra, do meu pensamento...

E receberás, para além de todos esses bens,
o beijo quente de Deus,
ofertando-te mais vida,
como forma de dar-te "Parabéns"...

Mário Salgueirinho

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Descubra o Amor

Pegue um sorriso
e doe-o a quem jamais o teve.

Pegue um raio de sol
e faça-o voar lá onde reina a noite.

Descubra uma fonte
e faça banhar-se quem vive no lodo.

Pegue uma lágrima
e ponha-a no rosto de quem jamais chorou.

Pegue a coragem
e ponha-a no ânimo de quem não sabe lutar.

Descubra a vida
e narre-a a quem não sabe entendê-la.

Pegue a esperança
e viva na sua luz.

Pegue a bondade
e doe-a a quem não sabe doar.

Descubra o amor
e faça-o conhecer o mundo.

Mahatma Gandhi
(Mohandas Karamchand Gandhi)

segunda-feira, novembro 27, 2006

Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny

domingo, novembro 19, 2006

Carrego o teu coração comigo

carrego o teu coração comigo (carrego-o em
meu coração) nunca estou sem ele (onde
eu vou tu vais, querida; e o que é feito
só por mim és tu que fazes, meu amor)
eu não temo
nenhum destino (tu és o meu destino, meu doce) eu não quero
outro mundo (pela tua beleza ser o meu mundo, minha verdade)
e tu és seja o que for que a lua signifique
e o que quer que o sol cante sempre és tu

aqui está o segredo mais profundo que ninguém sabe
(a raíz da raíz e o botão do botão
e o céu do céu da árvore chamada vida; a qual cresce
mais alto do que a alma pode esperar ou a mente pode esconder)
e este é o milagre que mantém as estrelas separadas

carrego o teu coração (carrego-o em meu coração)

Edward Estlin Cummings

sábado, março 11, 2006

O Homem e a Mulher

O homem é a mais elevada das criaturas. A mulher, o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono; para a mulher fez um altar. O trono exalta e o altar santifica.
O homem é o cérebro; a mulher, o coração. O cérebro produz a luz; o coração produz amor. A luz fecunda; o amor ressuscita.
O homem é o génio; a mulher é o anjo. O génio é imensurável; o anjo é indefenível;
A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher é a virtude extrema; A glória promove a grandeza e a virtude, a divindade.
O homem tem a supremacia; a mulher, a preferência. A supremacia significa a força; a preferência representa o direito.
O homem é forte pela razão; a mulher, invencível pelas lágrimas. A razão convence e as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher, de todos os martírios. O heroísmo enobrece e o martírio purifica.
O homem pensa e a mulher sonha. Pensar é ter uma larva no cérebro; sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é a águia que voa; a mulher, o rouxinol que canta. Voar é dominar o espaço e cantar é conquistar a alma.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra; a mulher, onde começa o céu.

Victor Hugo

quarta-feira, março 08, 2006

Momentos II

Há momentos em que os ponteiros do relógio correm,
quando deveriam andar ou mesmo parar...
E noutros momentos eles arrastam-se como caracóis,
quando o que se quer é que sejam verdadeiras gazelas.
Será que fazem de propósito?
Ou simplesmente percebem tudo ao contrário?

segunda-feira, março 06, 2006

Momentos I

Há momentos em que escrevo tudo a preto,
noutros em que escrevo a branco... numa folha branca,
noutros escrevo com várias cores,
e noutros, não escrevo... desenho.

quarta-feira, novembro 30, 2005

O Beijo



"O melhor beijo é o beijo desejado,
o beijo que me completa,
o beijo da minha forma adequada,
o beijo com o sabor do desejo na flor da minha pele,
o beijo da minha vontade,
o beijo que faz o meu pensamento,
o beijo que faz a minha boca e meu corpo
querer um novo beijo outra vez e mais outra vez.

O melhor beijo é o beijo sem tempo,
o beijo de longa duração
ou de pouca duração,
um beijo de vinte segundos
ou de vinte minutos,
isso não importa.

O tempo não conta, enquanto se beija
o tempo pára, o tempo desacelera.
E nesta inércia do tempo só sinto
a louca vontade de mais um beijo.

Sinto a outra língua que de encontro com a minha
faz um passeio suave e excitante
humedecendo minha alma.
Sinto a língua que viaja dos dentes ao céu da boca.
Sinto a língua que acarinha os meus lábios.

A língua e a língua...

A língua que me roça, que me percorre,
que me navega e que me lambe...

O melhor beijo é o beijo em que a língua
faz o beijo e o beijo faz o sexo"

sexta-feira, outubro 07, 2005

Poema à toa

Não amo a cor dos olhos,
amo o olhar.
Não amo a brancura dos dentes,
Amo o sorriso.
Não amo o contorno dos lábios,
amo o beijo.
Não amo o formato dos braços,
amo o abraço.
Não amo o alongado dos dedos,
amo a carícia.
Não amo as curvas das pernas,
amo o andar.
Não amo o volume dos seios,
amo o aconchego.

E que bom não seja isto uma escultura,
Seja apenas um poema à toa.
Porque não amo um corpo,
Amo uma pessoa.

Moacyr Sacramento

quarta-feira, setembro 28, 2005

O amor é outra coisa...

O amor não é algo que te faz sair do chão e te transporta para lugares que nunca viste.
O nome disso é avião.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que escondes dentro de ti e não mostras para ninguém.
Isso se chama vibrador tailandês de três velocidades.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que te faz perder a respiração e a fala.
O nome disso é bronquite asmática.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que chega de repente e te transforma em refém.
Isso se chama sequestrador.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que voa alto no céu e deixa sua marca por onde passa.
Isso se chama pombo com caganeira.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que tu podes prender ou botar para fora de casa quando bem entender.
Isso se chama cachorro.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que lançou uma luz sobre ti, te levou para ver estrelas e te trouxe de volta com algo dele dentro de ti.
Isso se chama alienígena.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que desapareceu e que, se encontrado, poderia mudar o que está diante de ti.
Isso se chama controle remoto de TV.
O amor é outra coisa.


O amor é simplesmente... o amor.

domingo, julho 10, 2005

Sonhos de uma noite de verão

Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem diga nem todas, só as de verão.
Mas no fundo isso não tem muita importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si, são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.

William Shakespeare

terça-feira, junho 14, 2005

Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade

sábado, maio 14, 2005

Lágrima de Preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão

quarta-feira, maio 11, 2005

As Mãos



Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre

terça-feira, abril 26, 2005

Três Coisas

De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que sempre estamos a começar...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...

Portanto, devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura um encontro...

Fernando Pessoa